A senha da sabotagem II (Ou: Eles acreditam que ela deixou um governo milhares de vezes melhor do que recebeu)

 

C.O.P

Ana Júlia fez um governo melhor do que o de Simão Jatene, a quem sucedeu em 2006? Quem responde sim põe pra circular uma mentira política baseada na senha da sabotagem – tema que introduzi no artigo anterior e que continuo a tratar nesse. A sucessão de um governo por outro no estado democrático só foi possível por meio de um resultado legítimo que resulta do julgamento do povo nas eleições.

Quis o destino que essas eleições, no segundo turno, fossem realizadas nos moldes de uma disputa plebiscitária entre o governador que foi sucedido em 2006 e a atual governadora. A estrutura da campanha petista não deixou dúvida do seu tamanho. Por isso, creditar a derrota à falta de comunicação do governo ou erro na estratégia de marketing político da campanha é levar em frente mais um engodo para influenciar a opinião pública em favor de teses petistas.

Observe alguns dados da campanha do PT:

1- O governo contava com apoio de 14 partidos, perfazendo a maior aliança política em torno da disputa;

2- A candidatura da Governadora Ana Júlia recebeu a adesão de 86 dos 150 prefeitos possíveis;

3- A campanha petista contou com quase o dobro do tempo de TV e rádio;

4- A Governadora petista foi a que mais arrecadou e, por isso, a sua campanha dedicou uma parte do milionário orçamento para os custos de marketing: fala-se em 4 milhões só para a produtora e mais 10 milhões para uma agência com 126 profissionais gabaritados;

5- A governadora contava com o apoio do Presidente LULA, que é muito bem avaliado e não economizou esforços para pedir votos em favor da candidata;

6- A imagem da candidatura Ana Júlia estava colada a uma campanha presidencial que viria se tornar vitoriosa;

7- A Governadora disputava a eleição contra quem sucedeu no governo, tendo sob sua gerência a maquina poderosa do Estado.

É bom lembrar que pelos quatro anos de gestão petista, e durante toda campanha eleitoral, a governadora se pôs a comparar o seu governo ao dos antecessores. Mas a Governadora perdeu a eleição para o então ex-governador Jatene, que disputava como um candidato sem a máquina, com menor aliança partidária e que arrecadou muito menos. É plausível, portanto, reduzir a derrota petista à falta de uma estratégia de comunicação ou à deficiência do marketing de campanha? Penso que não.

O problema decisivo do PT, aquele que foi realmente percebido pelo povo, diz respeito à falta do item mais importante, o item de número 8: UM BOM GOVERNO. Foi o item que faltou ser acrescentado na estrutura de campanha do PT e por isso o povo julgou nas urnas o governo petista pelo que ele vale.

O povo reclamava um governo menos envolvido em escândalos como os da Santa Casa de Misericórdia; como os da menor que fora presa em uma cela com homens no município de Abaetetuba; como o escândalo dos KITS escolares, como os da fraude ambiental na SEMA, como os do Seguro defeso, etc.

Faltou ao PT realizar um governo com obras estruturais que não fossem praticadas no regime da pressa eleitoral e que não se limitassem à capital do Estado, como foi o caso das obras do “ação metrópole” (que são do PAC, diga-se). Faltou ao governo ações efetivas de integração regional que buscassem diminuir a ausência do poder público no interior do Estado. Mais ainda, nesses quatro anos o PT se caracterizou como um Governo que prometia coisas impossíveis, verdadeiros delírios espetaculares como o projeto “Um bilhão de árvores” – que nasceu sem possibilidade de realização.

O povo queria, mas não teve com os petistas no poder, a realização de um governo que efetivasse uma política de segurança pública séria, como foi prometido na campanha de 2006, mas que nunca foi realizada – foi na pasta da segurança que aconteceu, também na última hora, um contrato de locação de viaturas colocado sob suspeita.

O Governo do PT deixou de cumprir os acordos políticos encetados com os partidos, redundando, em alguns casos, na perda de apoio importante, como o que se deu com o PMDB, que saiu do Governo e acabou por lançar candidatura própria. Faltou a Governadora prestigiar mais os próprios petistas que passaram pela administração, pois lembro aqui a passagem de quatro (?) secretários de educação pela pasta.

Enfim, o povo se ressentiu da falta de um Governo que efetivamente fosse melhor do que o do antecessor, o Jatene, e não se conformava com a existência de um que se mantinha apenas a berrar que foi o melhor sem ter sido ao menos mediano – e o índice de rejeição de 60% fala por si.

 

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